jump to navigation

UM LIVRO SAGRADO? 19/12/2011

Posted by Frater A'.' H'.' RAK in Ordens, Religiões.
Tags: ,
trackback

A todos os amados irmãos, de antemão um aviso: Livro é Livro e Bíblia é Bíblia. Sobre a imensa maioria dos altares modernos, quer sejam de ordens ou manifestações religiosas diretas, há a presença de um livro contendo suas normativas. Não trata, este livro, de normas e regras de convivência, mas da pura lei divina, de onde advém todas as outras, ou deveriam advir. Algumas instituições usam o seu “livro sagrado” de forma muito clara, ai encontraremos na Igreja Católica Apostólica Romana à Bíblia e de mesmo modo em todas as corrente Evangélicas, havendo apenas mínimas variações. Ainda serão notados o Alcorão no Islã, a Torah no Judaísmo, e tantos outros.

Quando o assunto é uma “ordem”, dependerá de sua linhagem filosófica, pois tudo que ela pregar poderá estar ou não representado em um altar, e nele estar contido ou não um livro. Como grandes exemplos a se observar ficam duas destas organizações; a Antiga e Mística Ordem Rosacruz e a sublime Maçonaria. Na primeira o altar, então denominado de Shekinah, não possuí livro, havendo apenas o firmamento do fogo, um simbolismo muito mais antigo. Na Maçonaria existe a grande luz de seu simbolismo o chamado “Livro da Lei” e este é o livro que representa as orientações divinas, muito superiores as regras e convenções mundanas.

Este é o momento em que alguém pergunta-se: “E que livro seria este?”, e a respostá variará conforme o grupo. Em geral na Maçonaria o livro usado é a Bíblia, sendo aberta sobre o santo e iluminado “livro de João”, havendo variantes para os Salmos e até para outras partes da mesma. No entanto, como estes grupos de homens são reunidos em lojas, e estas agrupadas ainda em organizações conhecidas como “obediências”, havendo nelas independência e soberania para orientar seus trabalhos, a própria marca do Livro da Lei já foi alterada. Existem lugares onde mais de um livro é permitido sobre o altar, sob o pretesto de representar a crença dos membros, mesmo que isto incorra em dissonância com a tradicionalidade de sua ordem.

Um caso singular merece olhar interessante para aquele que se depara neste assunto. A Grande Loja do Estado de Israel, onde em virtude das divergências locais, e que não cabe aqui aprofundar, decidiu por sobre seus altares os livros sagrados das três grandes vertentes religiosas ali baseadas, ou seja, nos altares das lojas maçônicas daquela nação são abertos juntos o Alcorão, a Torah e a Bíblía. Isto representa a adaptabilidade dada pelos homens aos ensinamentos que devem ser transmitidos e professados pelos membros das instituições que se utilizam destes livros. No entanto, são a prova viva de que um livro nada mais é do que a tentativa de materializar um conjunto interminável de conceitos universais e que, de comum acordo, recebem um sentido “devocional”.

A utilização de um livro em altares é realmente moderna, posto que nos antigos templos figurava o fogo como tão único símbolo a representar o inconossível e etérico. Algumas instituições passaram a usar de objetos, a maioria recolhidos na natureza, ou peças entalhadas. Surgiram as cruzes, estrelas, astros e infinitas outras formas. A perseguição pela própria forma humana foi uma constante nas manifestações da busca pelo espiritual, e muito antigamente nasceram as imagens de barros, cujo maior exemplo talvez seja a “Grande Mãe” representando o próprio ventre divino “Gaya”. Esta foi durante ciclos incontáveis a forma mais perfeita para representar a divindade, mas uma divindade manifestada; enquanto o fogo sempre representará o ser superior em essência.

Na Ordem DeMolay, por exemplo, uma instituição de jovens criada muito recentemente, no ano de 1919, o uso de um livro ficou muito bem delineado. A pouca distância histórica entre sua fundação e os que se deleitam em estudá-la no momento, permite ainda colher algumas gotas dos pensamentos usados como base na constituição de sua filosofia geral e de seus rituais em especial. O fundador da ordem, o maçom Frank Sherman Land definiu a linha filosófica baseada no amor e na boa cidadania, repassando a missão de transformar isto em alegorias ao também maçom Frank Arthur Marshall. Aqui é possível perceber e acompanhar a decisão clara por um livro e de seus motivos. Tanto Frank Sherman Land quanto Frank Arthur Marshall, vinham de origem religiosa cristã, e portanto tinham em suas vidas os fortes traços desta crença e de seus simbolismos. A escolha foi muito natural. Frank A. Marshall escolheu o livro sagrado de ambos para ser a base da nova ordem.

A pergunta que surge neste momento não é mais “Qual o livro?” porquanto a resposta já foi dada: a Bíblia; mas, “Como ela tornou-se para este grupo um livro sagrado?”. E não foi por mero sentimento de goísmo de seus fundadores. A Ordem DeMolay, sendo uma organização de homens estabelecida no ocidente, e que portanto estavam acostumados a este modo típico de vida teria poucas chances de surgir com algum livro do oriente como orientador. Dada a escolha da Bíblia Sagrada, como base, dela foram retirados os enisnamentos principais, e transformados em rituais. Tudo com o uso largo de alegorias, e não poderia ser diferente, uma vez que a própria Bíblia esta em linguagem alegórica.

A Ordem DeMolay possuí as denominadas Sete Virtudes Cardeais, sendo que, por exemplo: Amor Filial, a primeira delas, esta fundamentada em Provérbios de Salomão, capítulo 1, versículo 8 “Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe”. A própria decisão de instituir nesta ordem o já conhecido costume de juramento feito em um altar tem origem neste livro escolhido, pelo que tem como fundamento o escrito em Mateus, capítulo 23, versículo 20 “Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está”. Assim de partes da Bíblia Sagrada foram feitas as virtudes exaltadas, foram escritos os graus e cerimônias, e surgiu a própria ordem. Aqui tem-se um exemplo claro da escolha de uma orientação filosófica, de um material base, e da extração de suas representações para dar origem a uma nova organização. Por mais que as brumas do tempo tenham encoberto aquilo que poderiamos usar como provas em algumas “ordens” em tantas outras também achar-se-ão estas caracteristicas.

Em 1928 há a apresentação da chamada “Bíblia DeMolay” que nada mais era do que um volume completo da Bíblia cristã, acrescida em seu início de algumas apresentações escritas pelo fundador e pelo autor dos rituais; nestes textos adicionados estão as explicações de cada material liturgico empregado na ordem. Felizes são as ordens, ou ritos, que conseguem unir a utilização em seus locais “santos”, a novidade de um livro e a antecedência do fogo. A divindade manifestada e orientadora, e a suprema força do universa que a tudo ampara.

Muito se pode estudar e entender com as análises aqui propostas, no entanto, se um ensinamento maior do que todos estes primeiramente apresentados puder permanecer, que seja o que floresceu e vigorou nas mais herméticas sociedades, lembremo-nos todos, de que todos os livros verdadeiramente sagrados pregam o mesmo fundamento, que pode ser sintetizado como: O Amor há de ser o todo da Lei, o Amor sob Vontade!

Anúncios

Comentários»

No comments yet — be the first.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: