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Ordálias 13/02/2013

Posted by Frater A'.' H'.' RAK in Uncategorized.
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Provação

Salutem !

Quem já não teve a sensação de estar sendo testado diante de algo que se almeja, e em especial que se esta trabalhando para conseguir? Quem já teve a sensação de estar sofrendo uma punição justamente por ter empreendido algo? Com certeza todos já tiveram alguma sensação destas ou similar. No geral, as pessoas tendem a ignorarem totalmente o fato, dando-lhes destino com alguma sentença próxima de “deve ser coisa da minha cabeça”, ou elegem o fato como verdade absoluta e ultrapassam qualquer limite aceitável para tal, passando a um estado de neurose. Em ambas as possibilidades a pessoa em questão não faz uma escolha perfeita.

No meio dos estudantes e praticantes do Hermetismo, ordálias são conhecidas, compreendidas e convividas diariamente. Ordálias são pura e simplesmente testes, provações que submetem ou tentam submeter alguém ao estado de inércia. Toda vez que um homem inicia uma jornada é empreendida contra ele uma força desagregadora. Aqui se pode aplicar com perfeição o preceito das forças tão bem explicado por Newton, “Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário”. Iniciar uma jornada mística, por exemplo, é iniciar uma ação que tira o agente da inércia, do constante atual, e portanto recebe em si uma força contrária. Esta força contrária, no caso das ordálias são impostas, ou articuladas, por forças advindas de outros planos, extra físicos; algumas vezes são simples reações vibratórias, mas em sua maioria são conduzidas por seres espirituais que descordam do avanço que o indivíduo intenta. Assim toda ação em direção à luz provoca uma reação das trevas.

Um mago, médium, sacerdote, ou iniciado em qualquer arte, enfrentará suas ordálias em geral com duas grandes diferenciações dos demais. A primeira trata-se da consciência; posto que pelo conhecimento e refino de sua evolução já alcançada consegue perceber que esta sofrendo uma ordália, uma represália astral pelas suas atitudes ou mesmo intenções. A segunda diz respeito a intensidade. Um caminhante da senda espiritual é um agente da luz, e é sempre um guerreiro. A expressão “guerreiro” neste contexto não é uma hipérbole, haja visto que sempre que a luz avança as trevas recuam. E toda vez que este iniciado age em auxílio de outro e de si mesmo, faz retroagir as trevas que perturbavam o alvo da caridade espiritual. Logo, para este caminhante as ordálias são mais pesadas, pode-se afirmar sem erros, que são implacáveis; sem qualquer perdão.

Escolher iniciar um curso de Kabbalah, para exemplificar a variação de intensidade das ordálias, deve gerar sempre uma reação contra isto, ou seja, uma ordália. No entanto, estas reações serão diferentes conforme quem a gera. Se o caminhante em questão for um mago de boa índole em processo de despertar espiritual e que em outras passagens pelo plano físico já obteve grande conhecimento do tema, as ordálias serão extremamente pesadas, pois para este ser um curso nesta área significa rememorar um conhecimento vastíssimo e que aumentará exponencialmente suas condições de combate em favor da luz, que permitirá a ele a manipulação das forças da natureza e do todo com maior habilidade. Por outro lado, se o caminhante for um novato na arte, se não possuir condição moral ou elevação de espírito que o permita absorver plenamente o conhecimento oferecido na oportunidade, e muito menos pô-lo em pratica, para este a ordália pode significar algo tão menor quanto um pequeno atraso de seu meio de transporte. As ordálias não são de intensidade diferentes por ser um ou outro mais belo ou mais feio, mas por ser mais ou menos capaz de constituir avanço e evolução espiritual.

Ordálias podem ser manipuladas, gerenciadas e aplicadas efetivamente por diversos agentes. A ordália com o propósito de testar e fortalecer um bom espírito em sua evolução, é aplicada com sabedoria e em medida pelos planos elevados de consciência, sendo de responsabilidade de entidades muito avançadas no progresso espiritual. Estas ordálias são para transmitir o sentido de valor ao caminhante, para que ele valorize aquilo que esta conquistando, e entenda o uso correto que deve fazer. Esta forma de ordália pode ser dita como o verdadeiro Judicium Dei (Juízo de Deus), porquanto são a prova de merecimento de algo imposta pelos planos superiores, tendo como fonte a suprema inteligencia do universo. Havendo êxito em vencer a ordália, é beneficio concedido seu passo adiante. Sucumbindo diante dela, eis um tropeço no caminho, mas que não visa estagnar, apenas refrear aquele que avançava inapropriadamente; no mínimo aquele que cai diante de uma ordália peca pela falta de perseverança.

De uma segunda forma, ordálias podem ser impostas por egrégoras e indivíduos. São grupos de seres que tem suas atividades e quando identificam algo que lhes desagrada reagem. Quando dentro de um grupo de estudantes, um propõe algo que desgosta os demais, estes também reagem. Esta forma é comumente vista entre espíritos associados para um fim específico e em local específico. Quando um grupo de espíritos idealiza obsediar uma pessoa e esta procura ajuda espiritual, esta fugindo da influência destes seres, o que representa para eles um infortúnio. Por esta razão eles seguirão seu alvo, tentarão desviá-lo do intento de buscar ajuda, e não conseguindo isto despejarão suas ações negativas naquele que se dispuser a ajudar a pessoa necessitada. Muitas vezes os envolvidos maiores nestes casos são os centros espiritualistas e seus sacerdotes, que sempre estão a labutar pela libertação dos que lhes procuram. A lógica de comportamento é a mesma quando um ser desencarnado insiste em permanecer em sua antiga residência terrena, e não aceitando os novos moradores, passa a lhes prejudicar tanto quanto possa.

Ainda há uma forma mais sútil de ordália, a que não envolve qualquer ser vivo diretamente senão o próprio caminhante. Esta forma é uma pura e simples movimentação de energia, uma reação de ondas que cumprem a lei da vibroturgia. Quando um caminhante da senda toma uma atitude que não gerará grandes abalos no equilíbrio geral, sendo apenas uma atitude isolada ou de pouca repercussão nos planos, o que ocorre é um retorno energético, nada mais. Um estudante das reais artes ao descobrir um intrigante e bem posicionado jogo de palavras no texto de um mestre do passado logrará um melhor entendimento, e possivelmente captará alguns detalhes a mais do que os demais que estudaram o mesmo texto; este interessado pode sofrer como onda contrária um pequena força que pode lhe representar apenas uma dor de cabeça antes do sono.

É interessante verificar que ordálias podem ser impostas por seres de qualquer nível. Um grupo de encarnados que sentem seu poder ameaçado atacarão aquele que se projeta direcionando mudanças nas estruturas. Desencarnados escurecidos moverão forças nocivas sempre que afastados de suas vítimas. E até mesmo elementais artificiais podem reagir quando pré-sentirem que serão destruídos, quer seja por seus criadores ou por outro qualquer. Ordálias são ao mesmo tempo umas das coisas mais fáceis de se explicar e compreender conceitualmente, e uma das tarefas mais complexas de se identificar quanto aos processos que as desencadeiam e que as conduzem contra o caminhante.

Uma forma especial de ordália é quando essas reações ocorrem sistematicamente, formando um efeito sucessivo de problemas; nestes casos as reconhecemos como torrentes. Quase sempre provocadas e conduzidas por numerosos seres do astral inferior quando muito provocados ou ameaçados. Estas formas são despertas por atitudes de amplo alcance, e podem ocorrer contra o caminhante isoladamente ou contra todo um grupo, chegando a provocar verdadeiros combates entre egrégoras. Oportuno se torna contar um episódio ocorrido desta forma de ordália, onde as ações grotescas tiveram lugar de diversas maneiras:

No ano de 2010, ocorreu na cidade de São Paulo, o I Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas. Este evento reuniu mais de 200 magos de todo o Brasil, entre eles a maioria dos grandes magos nacionais. Haviam sido reunidos os representantes das mais importantes escolas de mistérios em atuação no país, bem como uma considerável porção dos estudantes e praticantes isolados da real arte da vontade suprema. Como em todo evento, a equipe organizadora sofreu sérias dificuldades para levar a cabo a proposição. Os indivíduos que seriam reunidos eram de tal forma seletos e gabaritados, que sabidamente se produziria um grande abalo nas forças espirituais em ação no plano físico, sendo um movimento de gigante proporção nos planos acima do véu para sustentar as atividades feitas em malkut. Um verdadeiro vórtex de energia surgiu através dos rituais e praticas. Os membros da organização sofreram em grupo e individualmente, como se era de esperar; no entanto, um dos mentores principais teve uma experiência clara do quanto estavam movimentando no suave e inconstante equilíbrio dos mundos.

Alguns dias antes do evento, ao chegar em sua moradia, percebeu em seu altar uma grave alteração na chama de uma vela de 7 dias que havia sido acessa como firmamento de proteção. Com alguma preocupação pela segurança dos demais integrantes de sua família, empreendeu o movimento de mudar a vela de lugar, intencionava levá-la para uma superfície menos propensa a reações. Erguendo a vela com uma das mãos, observou uma língua de fogo tomar forma na chama, que já ultrapassava inesperados 20 cm; e com menor preparo ainda, viu a forma avançar contra a mão contrária da que portava a vela e dobrar-se ao redor dela, compreendendo um movimento perfeito de mordida.

O combate astral contra sua pessoa estava tão intenso, que as egrégoras enegrecidas que trabalhavam na tentativa de dissolver o simpósio em formação, focaram boa parte de suas atuações neste membro, e suas entidades de defesa estavam igualmente exercendo suas funções. Entre os dois polos de ação ficou o altar do membro, e na chama que ardia no físico e no etérico concentrou-se o ponto de tensão. Ao mover este centro, que constituía o ponto focal de defesa usado por suas entidades, o irmão favoreceu a influência externa, e abrindo uma minima brecha, um elemental do fogo manipulado pelo grupo atacante pôde ser enviado com uma determinação perversa. A queimadura que atingiu os tecidos mais profundos e tornou-se de grande estrago, foi parte da cobrança pelo intento realizado. Por graça do altíssimo tudo ocorreu da melhor maneira possível para a efetivação de seu tratamento e reestabelecimento da perfeita forma.

Este que vos escreve teve a grata satisfação de estar presente no evento, mas como o perspicaz leitor já entendeu, não o foi sem pagar o devido preço. Alguns amigos próximos tinham conhecimento da realização do simpósio no entanto, por esquecimento, não haviam comunicado o mesmo ao redator momentâneo, que só tomou ciência de tal por obra do “acaso”. O planejamento foi feito para permanecer na cidade alguns dias a mais, visando realizar um curso correlato no dia anterior ao início do evento, e possibilitar algum passeio pela capital paulistana. Pois, dias antes os problemas advindos do absoluto improvável tiveram lugar. O dinheiro que fora reservado para custear a viagem não foi reservado conforme o previsto e outra quantia bem menor surgiu; um alento de ânimo em meio ao que viria. Os hotéis, pensões, albergues, e toda forma de hospedaria estavam lotados e durante dias os ditos contatos amigáveis residentes naquela cidade de nenhuma maneira colaboravam. Apenas no dia anterior ao da partida é que o mínimo de condições se concretizou, e tomada foi a decisão de rumar mesmo sem um pouso acertado.

Ao desembarcar na cidade de destino, sem maiores explicações, um dente rompeu-se repentinamente, expondo sua polpa. A dor foi absurda e estando longe das estruturas de amparo, foram 7 longos dias que ensinaram na pratica a abstração da dor. Um gentil irmão de ordem, e futuro precioso amigo, dispôs-se a ser anfitrião do viajante insistente; este foi um verdadeiro presente do Grande Arquiteto. As brigas familiares que antecederam a viagem, os contra tempos e perturbações haviam se diminuído em importância. Durante 7 dias se verificou febre constante, falta de fôlego e cansaço completo do corpo, mas a determinação de permanecer firme e completar a jornada foi maior. Ocultadamente ficaram todos estes fatos; e tudo valeu pelos inumeráveis ganhos.

Como tudo evolui, os magos aprenderam a enfrentar suas ordálias, e as encarando de frente, porém de forma preparada, diminuíram o impacto que elas lhes tinham. Isto é atitude que desempenham apenas os magos mais experientes e diligentes em suas práticas. No entanto, as leis de evolução estão ao alcance de todos, inclusive daqueles que por baixeza de intenções impõem ordálias. Foi por este processo que muitos destes seres aprenderam que não somente o confronto direto é possibilitador de suas vitórias, e procurando novos artifícios, aprenderam a manipular magistralmente as distrações. Uma forma tão sútil de ordália, que se revela tão difícil de se perceber, e assim tão perigosa ou mais quanto qualquer outra tipificação.

Ordálias são ordálias e sempre serão impostas, em variáveis formas e intensidades, mas o valor reside em superar cada uma delas. Assim como a queda acorda o caminhante, a diferença de nível, entre onde estava e onde restou, é por si naturalmente firme e justo degrau para sua evolução. Alcançar novamente movimento na jornada é o segredo, resistir, insistir, continuar em frente, reavaliar e enfrentar as adversidades. Isto tudo é vencer a demanda e tornar-se justo recipiendário das altas glórias.

Pelo material aqui composto, a saúde do autor pagou caro, de mesmo modo outros foram os prejuízos. No local onde este texto foi produzido, havia um altar completo e ativo, fortificado como centro de energia; e estavam erguidas poderosas barreiras de defesa, ainda assim as ondas vibratórias que visavam impedir este material revelaram-se sob a forma de intensa “dor de cabeça” e muscular, da primeira a última letra. Do surgimento da intenção e necessidade de produzir-se este explicativo até sua real constituição decorreram-se 3 meses de diversos obstáculos. E conforme o leitor que nestas últimas linhas chegou ja percebeu, encontrando maior ou menor revelação à luz do conhecimento: “Boas Ordálias!”.

Com meus melhores votos, sinceramente eu sou,

Frater AHRAK

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Comentários»

1. Danyel Roza - 17/06/2015

Obrigado! Excelente texto.

2. Daniel Rosa - 17/06/2015

Um belíssimo texto! Muito Obrigado!!!


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