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Espetáculo de Charlatanismo 13/11/2013

Posted by Frater A'.' H'.' RAK in Religiões.
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 Não faz muito tempo, na verdade apenas alguns dias, que pude presenciar um verdadeiro espetáculo de charlatanismo no campo da fé. Vi pessoas serem iludidas em suas fragilidades pessoais, e isto muito me indignou, então, como já pretendia, vou relatar a experiência.

Na última semana estive visitando meu pai, que mora em outra cidade, onde ele comentou-me que havia conhecido um “templo” onde se processavam ditas “curas” espirituais. Obviamente o tema me interessou, e ao ser convidado aceitei prontamente a oportunidade de conhecer aqueles trabalhos. Chegando no local deparei-me com uma casa como outra qualquer, a entrada era por uma garagem longa que havia sido adaptada, depois dela um cômodo fechado e um pátio. Um número razoável de pessoas estavam reunidas, pelo menos 40, em um “templo” absolutamente desconhecido da comunidade espiritualista daquela cidade. Até ai nenhum problema, afinal isto é muito comum, muitos grupos preferem se isolarem por uma infinidade de motivos.

Em pouco tempo os trabalhos tiveram início com uma oração, simplesmente tudo seguia sem nenhuma suspeita, senão o fato de eu já ter visto o “nível” das pessoas que ali frequentavam, não social, mas a imersão de vícios em que viviam. Muitos fumando, enervadas em condições mentais e emocionais baixíssimas, brutas e pouco sociáveis. Notava ainda, desde o início, uma grande quantidade de pessoas com semblante que traziam uma mistura de dor e sofrimento com desespero. Era nítido de que se tratavam de pessoas suplicantes por auxílio.

Eis que o espetáculo em si começa: o dito “dono da casa” aparece, um homem magro, falando alto, quase gritando. Ele anda um pouco pelo espaço, olha para todo mundo, observa bem o grupo e então volta para a frente, onde todos podem ver o que se passa. Ele pega uma tira de pano negro e a amarra na cabeça, de modo a lhe cobrir os olhos, e começam os brados: “Eu agora vou dizer todas as dores que vocês estão sentindo! Eu vou curar todo mundo!” E então anuncia: “Vou dizer as dores e quem tiver com ela levanta o braço”. Enquanto ele vomita uma infinidade de “dores” genéricas e outras extremamente excêntricas, no nível de: “Quem ta com uma dor de estômago muito forte?”,Alguém esta sentindo uma dor aguda na costela, do lado direito”, “e tem alguma pessoa que sente uma dor no pulmão direito enquanto o coração palpita mais forte e o dedo formiga”…. Conforme as pessoas, totalmente fragilizadas, eram persuadidas a procurarem em si estas dores outro “médium” fica observando a assistência, e toda vez que um braço se ergue ele gritava “Aqui tá a dor”, e o outro respondia “Ai ta, viu que eu disse!”.

Além do lamentável fato de que mais de 20 dores foram anunciadas e apenas “achou-se” o dono daqueles problemas umas 8 vezes, é triste dizer que duas mulheres ergueram seus braços 3 vezes cada. Numa dessas dores o homem largou: “Tem alguém aqui que sente uma ânsia muito forte na boca do estômago, alguém que toda vez que vai comer e beber algo sente uma dor forte e parece que vai regurgitar…” e foi definindo detalhes da dor, enquanto isso um homem jovem, com uma tristeza aparente começou a levantar o braço direito enquanto mantinha a cabeça baixa e de certa forma até envergonhado, mas logo foi baixando o braço sentindo que não era ele ao ouvir a última parte da descrição.

Depois dessa especulação poliqueixosa o indivíduo ergue os braços e diz: “Agora, eu vou puxar tudo isso pra mim, vou tira tudo isso que vocês tão sentindo e pega pra mim”, deu aquela cafungada e um grito tipo “ROOOU”. Achei que estava incorporando um thunder cat…

É, isto não acabou por ai, o homem, agora sem a venda, começou a pedir que as pessoas que tinham levantado o braço se identificassem, e lhes oprimia a confirmarem publicamente que sentiam a dor que ele tinha dito, e as pessoas no geral só conseguiam balançar a cabeça e apertar os lábios de vergonha. O melhor foi quando, encerrando este deplorável momento, ele ia começar a “segunda parte dos atendimentos”, quando o tal “médium auxiliar” o interpelou e o lembrou de que havia um homem com a dita dor no estômago. Ele pegou o homem pelo braço, colocou na frente dos demais e começou a repetir tudo que tinha dito enquanto vendado, e o indagou diretamente: “Então eu acertei, é isto que tu ta sentindo?” e o homem balançou a cabeça negativamente. O dito médium indignado falou asperamente: “Como não?” e o homem com voz sutil lhe respondeu:” Eu as vezes sinto dores no estômago quando vou comer, mas não sinto vontade de vomitar, e nem dor quando vou beber água”. A melhor foi o “curador” tentar lhe dar uma lição com: “Eu não disse vomitar, disse regurgitar!” virou para o público e continuou a descascar bobagens tentando restaurar a confiança na sua figura. Alegou fortemente que as pessoas não sabem o que elas sentem e que ele que via tudo.

Depois disso o homem mandou os demais “médiuns” se prepararem para os atendimentos enquanto ele iria fazer uma pausa, ‘pois estava cansado’. Neste momento 4 pessoas se postaram em fila junto a uma parede e começaram a se balançar, umas fechavam os olhos, outras tentavam respirar fundo e tudo o mais que você possa imaginar. O mais interessante é que o que deveria ser o corpo mediúnico da casa estaria se alinhando com a egrégora e as incorporações acontecendo, mas no mesmo instante, o “chefe da casa” que então seria o responsável pelos trabalhos tinha ido “descansar”, o que se dava atirado no pátio com um cigarro na mão.

Enquanto algumas pessoas dentro da casa começavam a “atender” a assistência, em tese, incorporadas com suas entidades, o homem “espetacular” continuava no pátio, onde outra porção de pessoas se reuniam, e ali falava altamente de seus prodígios. Ora apontava para o braço de um e perguntava “E ai, ficou bom ou não ficou bom?” chamando a atenção de todos e deixando a pessoa em uma situação de constrangimento. Outro momento era para o joelho de outro e proferia: “Consertei isso ai?”; e coisas do nível.

Estando mais do que convencido do charlatanismo e baixíssimo nível de atuação moral daquele homem resolvi envidar observações naquele “corpo mediúnico” a que pouco tinha tido oportunidade de estudar, afinal detinha-me mais naquele que se dizia ser o “grande curador”. Estando bem próximo desses comecei a ouvir as pessoas cochicharem sobre o que uma e outra “entidade” faziam, sobre o quão poderosas (leia-se distintas) eram, etc. Então o resultado diante dos meus olhos foi o de uma senhora que se dizia incorporada com “Madre Tereza de Calcutá”, mas esta só sabia fazer perguntas aos consulentes, e a nenhuma respondia em atendimento aos que lhe procuravam. E o mais interessante mesmo era o quão “Madre Tereza” se tornou fofoqueira, pois num momento falava da vida da vizinha de uma senhora, noutro era sobre a nora, e todo tipo de futrico.

Ao lado estava uma “criança” que alguns ao redor diziam ser um tal de “Pedrinho”, mas que só sabia rir e roubar doces, bebidas, panos e coisas menores, pondo tudo nos bolsos do seu “médium”. Também por ali diziam estar um “distinto cardeal”, mas este não conseguia ouvir nada, apenas via que ao chegarem as pessoas a sua frente, lhe impunha as mãos ao redor da cabeça, uma pela frente e outra por trás, e começava a apertar e balançar como quem manipula um tronco a ser arrancado em uma floresta. As pessoas pareciam bonecos de posto de gasolina, até que tudo acabava do mesmo jeito que havia começado. Também dei uma olhadela no que, novamente, “diziam ser” uma “entidade cigana”, logo ali ao lado, na agradável onu espiritual daquele “templo”. Novamente, mais parecia uma pequena aula de matação de mosquito, era cada palmada tirando fino dos narizes alheios, ou batendo-lhes quase a testa que me sentia feliz escorado na porta do cômodo.

Depois de tudo isso, algo “do nada” me chamou atenção. Comecei a ver uma boa porção daquela gente se sentindo extremamente cansada, mãos sobre os abdômens ou/e testas. Ora, o que parecia óbvio ainda não estava nítido, ao menos eu queria mais. Então foi como uma criança sapateando e dizendo “eu quero!”, que fechei os olhos, respirei fundo algumas vezes, novamente me conectei profundamente com minha egrégora pessoal, e pedi para que me fosse revelado o que ocorria no plano espiritual daquele local. E viva o Buffet livre! Uma pá de mulheres se deliciando com a energia vital daquele povo, drogados correndo de um lado para o outro, e a fumaça do lado de lá era maior do que a de cá.

Bem, a essa altura já estava muito mais do que satisfeito, mas sabe como é, sendo a refeição boa ou não o gordo sempre quer o doce… E eu estava querendo aguardar a minha vez para ser “atendido” e poder coroar a experiência, mas a hora já tardava e havia me comprometido com um jantar na cidade. Mas, o que vi já foi o suficiente para me enojar com a forma sem escrúpulos com que umas pessoas se servem da fragilidade das outras. Sem muito mais cerimônia apenas retirei-me do lugar, e foi um alívio de tensão ao meu redor quando cruzei o umbral daquela garagem. Aquilo era um bom covil onde um atraia as vítimas e mil lhes entorpeciam a mente indo a hipnose e a demência para deles servir-se em banquete.

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