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Preto Velho – Fake? 05/06/2014

Posted by Frater A'.' H'.' RAK in Religiões, Umbanda.
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preto velho

Vencendo a vontade de vociferar contra o autor por conta do título, vamos ler o texto primeiro. De início é muito bom que se diga que preto velho é um verdadeiro patrimônio da espiritualidade! Eis que a caminhada de um médium é longa e cheia de surpresas, a cada passo uma nova revelação, e tudo que esta concreto se dissolve e é reconstruído; ora, como um aspecto importante da vida a espiritualidade de um ser também evolui e serve-se muito para isto das mudanças propostas pela natureza.

Em um dia de trabalho no templo, como em todo sábado, os ritos são abertos normalmente, os pontos são cantados e a energia flui. Gira de preto velho, a data é Maio, tradição se cumpre em comemorar o dia 13 que lhes foi dedicado no sincretismo. Oferendas, firmezas, tudo alinhado e pronto. Abre gira, defumação, saudações e começam as manifestações. Chegam os pretos velhos que trabalham com os médiuns já desenvolvidos, o cambono atende a todos, ervas, velas, pembas, linhas, fitas e figas vão virando patuás. O sagrado tabaco vai virando encantaria e enfumaçada nas mãos dos sábios, o melado na água pura vira bebida de poder, curadora e com mil mistérios, eis que assim se vai o trabalho de caridade, bandeira maior da Umbanda. Atende-se toda a consulência e os mesmos se retiram, aos poucos o terreiro vai esvaziando dos irmãos que procuravam alívio e apoio espiritual.

Chega o final da gira, o ogã deixa seu tambor para dar passagem ao seu guia, um mentor encerrando seu trabalho se retira, e assim a dança em que todos vão trocando um pouco de função vai acontecendo, e não é diferente com o cambono que faz seu desenvolvimento mediúnico. A vó chefe da casa chama o rapaz e lhe diz algumas palavras, ajoelhado o jovem ouve, reflete, conversa, e ao seu lado, como já bastante antes, sente seu mentor, um amigo espiritual que já o fluidificava com sua presença. A velha vó lhe diz “o senhor é que esta segurando” referindo-se ao ato da incorporação. Pequeno riso, e com o consentimento dado permite então que o seu preto velho se manifeste, chega o trabalhador de aruanda com a sublime missão.

Saúda a anfitriã, e vai ao solo santo do congá, saudação reverente a força cósmica que dele se irradia, ponto de amor e de caridade sobre a Terra. Tendo clara na mente de seu médium sua missão naquela noite, pede licença, e recebe, para firmar seu ponto, e por ele sua força. Pede pemba, risca um ponto, apanha uma bela folha, verde, viva, resplandecente de luz, deita-a sobre o primeiro traçado e nela firma outro. Descansa suas mãos serenas sobre a folha, sente o pulsar da vida que ali também se manifesta, vai ativando a força viva daquele portal. Pensa um pouco, e pede licença para por uma vela sobre seu trabalho, e o faz. Vela branca, coisa simples, mas com um poder enorme, como se pôde constatar. A função do trabalho? Firmar sua presença na egrégora da casa, abrir campo para o seu trabalho, uma nova linha se aproxima e pede passagem para se manifestar.

Nova? Ora, como nova, se era seu dia de trabalho e outros já o precediam? Mas o mistério do espírito é muito vasto para restringir suas formas. Mostrando ao seu médium sua verdadeira face, não demora e se retira, deixou no seu ponto a verdade de sua essência manifestada. Mas antes de partir, tendo seu ponto impõe sua mão esquerda sobre ele, firmando-o, fazendo uma ponte, uma ligação, como uma linha segura, com a direita mais acima começa a movimentar levemente para direita, descreve círculos iguais, harmonia em seus movimentos, e no chão o que se vê é belo, é de encher os olhos, belíssimo portal se constituí, uma linda forma, como a de uma guirlanda, se forma em verde escuro, e gira, deixa nascer frondosa flor e irradia aromática presença.

Estando amplo em seu estado, estável em seu trabalho, e concluída sua parte, uma ação falta antes de se retirar. Sua mão mais alta agora começa a girar lentamente para esquerda… Lentamente as formas as astrais no seu ponto vão mudando, por trás daquilo que havia construído uma estrela negra se abre, são 21 pontas, gira para esquerda, fica como uma roda dentada; impositivo portal se faz e a energia se transforma. O médium sente seu corpo cruzar por outra vibração, densificam-se suas sensações, seu estômago pesa, as pernas enrijecessem e a coluna se faz notar novamente. Peso grande se deposita em seu corpo. Quando percebe já não esta mais manifestado com seu preto velho mas com um guardião que assumia e anunciava uma nova etapa.

Este não demora, assim que assume o controle do aparelho mediúnico se retira de frente do congá, vai para o salão dos atendimentos onde não fala a ninguém, não precisa. Sente-se que seu trabalho é apenas o de equalizar sua vibração com a do médium. Esta ao lado da velha vó que chefia a gira. Pouco passa até que pede por gentileza um pouco do marafo sagrado, o que prontamente lhe é concedido. Mas explica, não é para beber, apenas um pouco sobre as palmas das mãos é o suficiente. Através desse mistério fluídico faz sua irradiação, e a conduz aos polos do médium, translaça seu corpo com sua presença. Vibra no chão sua mesma energia enquanto a vó explica aos presentes que acompanhavam o momento: “este tem licença para quando chegar usar um pouco de marafo”, pois este o usa para assentar sua vibração, muito diferente da do médium.

Um pouco mais e tudo vai cessando, o guardião também se retira e seu médium é novamente acolhido pelas palavras da velha vó. Vó Maria de Aruanda volta seus olhos para o rapaz e lhe diz “vou lhe por uma coisa” enquanto no coração do jovem vivia o sentimento de antever as palavras que viriam. “Este que esteve aqui não é preto, nem é velho, é um mago que encontrou nesta linha de Umbanda uma forma de se manifestar”. Perguntada sobre o motivo disse ela “Porque foi onde ele encontrou espaço para trabalhar e é necessário que ele se manifeste e trabalhe com você agora, nesse momento”.

A pesar de muita ignorância entre os homens, mesmo os que tem fé, ou dizem ter, o que se vê é mais uma ocorrência de um fenômeno normal e muito comum na religião de Umbanda. Um espírito transfigurar sua forma, tanto de seu corpo astral quanto de todo o seu padrão de comportamento para conseguir se manifestar e cumprir uma missão de caridade. Um espírito que em sua forma é branco e muito jovem se transfigura em um ancião, preto e cujo arquétipo já é bem conhecido. Quando tocou o chão usando a lei de pemba, fez o ponto de um guardião que trazia de sua mesma egrégora de trabalho, dava-lhe a missão de proteger e conduzir, bem como desenvolver o médium em sua vibração, e sobre a folha majestosa todo o mistério se deposita, pois seu sinal estava sobre o altar de Obaluayê e ali se via sua marca, traços e formas, e entre elas uma rosa que brotava em uma cruz.

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