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REFLEXÕES SOBRE “O NOVO HOMEM” – SAINT MARTIN 15/04/2011

Posted by Frater A'.' H'.' RAK in Martinismo, Ordens.
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(ou a Iniciação, segundo Saint-Martin)


A idéia central desta obra é a aliança que o homem deve fazer com Deus. Para isso ele tem de trabalhar a fim de suprimir todas as impurezas que obstruem a porta pela qual a eterna palavra da Divindade deseja entrar. Assim, o velho homem deve abandonar a torrente de iniqüidade e se empenhar na purificação. Esta tarefa é uma verdadeira gestação espiritual pela qual o buscador – o Homem de Desejo – faz nascer nele um Novo Homem.
O nascimento desse filho espiritual no homem é o desenvolvimento e a manifestação do que era o homem primitivo. O cadinho dessa transformação está no coração do homem. Essa transformação se faz por etapas e segue um processo cujo esquema nos foi fornecido pela vida do Reparador Universal – o Cristo.
O Novo Homem, conseqüência do processo utilizado pelo buscador, é o reparador individual. Esse Cristo é quem abrirá a via que desde a queda de Adão está fechada e mostrará o caminho. Desta forma, o Novo Homem é o imitador do Cristo. Esta imitação vai fazer dele o espelho da Divindade.
Do processo constam as etapas da vida do reparador que correspondem à narração dos Evangelhos. Uma interessante e bela analogia é feita entre as Escrituras Sagradas e as operações a serem realizadas pelo Novo Homem. Nenhuma adesão a culto exterior será necessário, pois impediria a atuação nas profundezas do ser. A adoração deverá ser dirigida para as profundezas da alma.
Segundo Saint-Martin, o único santuário é o do coração do homem, templo em que este deve adorar a Deus. O processo portanto é a construção desse templo que tem duas portas: uma superior, pela qual ele pode dar acesso ao anjo que é seu guia; e outra inferior, pela qual ele pode dar acesso ao inimigo. Dois pilares sustentam esse templo. É por entre eles que o novo homem deve avançar com cuidado, pois ambos têm poder de atraí-lo, mas é a fronteira desses dois mundos que manifesta a Sabedoria e a Força. Por isso esse caminho deve ser percorrido sob o manto da prudência.
A primeira etapa descrita por Saint-Martin é a geração. Nela ele chama a atenção para a voz do anjo anunciador, o amigo fiel. Definindo a alma humana como um pensamento de Deus e o homem como reflexo do pensamento, da palavra e do espírito de Deus, Saint-Martin descreve a concepção como uma dolorosa operação que precede o atravessamento da Divindade em nós – a anunciação e a gestação.
Numa próxima etapa o homem é alertado para o nascimento, os cuidados para com a criança e os alimentos que consolidarão o fogo da vida. São feitas advertências quanto às operações enganosas do inimigo, as conseqüências da efetividade divina sobre nós, a deliberação do Deus sofredor em nós, o despertar de nossas faculdades, os falsos altares que poderemos erigir, a sabedoria que já expressa o filho nascido, mas que ainda não alcançou a idade adulta, e a arca sagrada que aguarda a construção do templo.
Em outra etapa o Novo Homem é alertado quanto aos perigos que rondam a adolescência do ser que está se formando: as contrariedades espirituais como obstáculo para a construção do templo, a dificuldade em estabelecer a paz para a elaboração da obra, a entrega ao culto das coisas ilusórias, os prazeres do ego oriundos dos apetites sensuais, as iniqüidades, os obstáculos ao desenvolvimento das faculdades espirituais.
Chegando agora à fase da juventude, o Novo Homem deverá pautar suas ações pela prudência. Os três princípios divinos nele se estabelecerão como um só através do batismo. As conexões com a Divindade deverão ser operadas com moderação pois os perigos rondam o sagrado, ainda ligado ao mundo inferior. É o momento de se retirar para passar os quarenta dias no deserto e lá provar sua firmeza enfrentando as tentações do inimigo. Vindo de lá com poderes incalculáveis, deve, porém, exercê-los em ocasiões oportunas como fez o Reparador Universal nas bodas de Canaã, no sermão da montanha e no exorcismo dos atormentados. Embora saiba que o recebido deve ser distribuído, ele o faz com parcimônia, evitando os infiéis, pois sabe que sua missão é levar a luz às trevas.
Na fase da mocidade, o Novo Homem se apresenta amadurecido. Contudo, ainda terá que descer aos seus próprios abismos e levar a fé àqueles aspectos do seu ser que ainda se acham infiéis. Enfrentará obstáculos resistentes, pois terá que arrancar as substâncias falsas que ainda habitam em seus pensamentos, vontades e ações. Esta é a tripla ressurreição que deverá operar após a morte do velho espírito, da velha obra e do velho corpo. Somente após essa purificação é que abrirá seus doze canais e receberá o tesouro relativo aos sete sacramentos para propagação e comunicação do segredo. Ele então retornará à Deidade. Ele sentirá compensações pois já não recusará nenhum desejo ou necessidade do Senhor.
Na fase da maturidade o Novo Homem terá a oportunidade de consolidar o aprendizado. Na transfiguração resplandecerá a luz interior. A regeneração vai se processando aos poucos, mas já pode desfrutar das consolações, pois seus ouvidos estão abertos aos gemidos daqueles que suspiram na senda. Diariamente uma virtude o esposa porque é esta a freqüência com que a elas ergue um altar. É humilde e derrama consolação. Precavido, não deixa que o fogo do espírito o inflame para a destruição, mas o usa para aperfeiçoamento. Novas alianças serão feitas e ele responderá a seus desafiantes. O renascimento já está próximo e seus sentidos estão a serviço do equilíbrio e da restauração. Contudo, ele sabe que está na fase perigosa, em que enfrentará o maior perigo – a traição.
Na etapa final do processo opera-se a preparação para a beatitude através da morte. O reparador individual viverá no Novo Homem eternamente, assim como o Reparador Universal é eterno para a família humana. O ser divino – o Novo Homem – frutificou. Ele deixará o mundo inferior para retornar ao Pai, porque agora está santificado. É a hora da crucificação e em seguida a morte espiritual. Ele permanecerá três dias no túmulo para cumprir o número, o peso e a medida que lhes são prescritos e então ocorrerá a ressurreição. No juízo final serão julgados aqueles aspectos do Novo Homem que, apesar de todos os seus esforços, permaneceram no abismo.
O processo acima descrito leva o homem a servir de órgão e de passagem à Divindade, pela suspensão do funcionamento do ego para fins centrados nele mesmo. Portanto, fica claro que a missão do ser humano é se entregar a uma interação com Deus de forma que resulte na gestação e desenvolvimento espiritual conforme descrito. O homem ao perceber o nascimento em seu ser do filho espiritual, logo sentirá a diferença desse novo estado em relação ao anterior.

Retirado da Revista L´ Initiation, N. 5 de 2002.

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